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O Quinto "Evangelho de Nietzsche"
PETER SLOTERDIJK
Tradução de Flávio Beno Siebeneichler
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Em toda a parte, a linguagem e a palavra falada aparecem, ao mesmo tempo, como sintoma e como problema.
Poucas vezes ela aparece como portadora de afirmações e de promessas, a não ser para afirmar o caráter inautêntico e
decadente dos tons festivos que tudo prometem. Quem usa a palavra nas condições concedidas — de modo burguês, político,
acadêmico, jurídico, psicológico — encontra-se sempre em desvantagem e busca, em vão, meios para pagar e reescalonar
afirmações que ultrapassaram os limites do crédito. Quem fala, contrai dívidas; e quem continua falando, fala para pagar. O
ouvido é educado para não dar crédito e para interpretar a sua avareza como consciência crítica. Nas páginas que se seguem
Sloterdijk tenta retomar a idéia nietrzscheana de linguagem, apenas esboçada por ele, tentando prolongá-la no futuro, a partir
de um ponto de vista contemporâneo. Para isso, precisa contar com a possibilidade de que a máxima nietzscheana:
“toda nossa filosofia nada mais é do que retificação do uso da linguagem”, assuma significados capazes de ultrapassar a interpretação
criticista.
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